Uma bela história de amor real
Não só o príncipe Harry e Meghan Markle tem um grande amor real… continue lendo e veja porque.

Não só o príncipe Harry e Meghan Markle tem um grande amor real… continue lendo e veja porque.

Foi no final de uma bela quinta-feira ensolarada, na Rua da Imperatriz, no bairro da Boa Viagem em Salvador em Abril de 1976. Eram 16:00 horas da tarde, eu havia saído do jogo de futebol e fui andando pra casa quando, no caminho, encontrei com amigos no Bar Imperador em frente ao Edifício Cendon, puxei uma cadeira e sentei um pouco com eles. Discutiam, naquele momento, sobre o jogo do Bahia e Vitória que iria acontecer no próximo domingo, entre gozações e risos, levantei para ir embora pois tinha aula à noite. Na época cursava Tecnologia de Telecomunicações no CENTEC. Quando olhei para o alto da sacada do Edifício Cendon, vi uma garota linda vestida em traje escolar conversando, animada e sorridente, entre duas amigas. Fiquei admirado e admirando aquele lindo rosto, em seguida perguntei aos amigos: Quem é aquela princesa ali, gente? Um deles respondeu: é Maria, colega de escola da minha irmã! Imediatamente pedi pra ser apresentado a ela. Tá certo Mário, eu te apresento a ela, cara, calma! Ela já deve tá saindo pra ir embora, ela mora distante daqui. Espera um pouco vamos lá pra frente do edifício, quando ela se aproximar eu falo com ela, te apresento e vou embora. E isso aconteceu. Fomos apresentado, ela estendeu sua mão, e eu a apertei delicadamente. Soltou um sorriso tímido e disse: prazer em conhecê-lo e eu retruquei o prazer é todo meu, você tá indo pra onde? Ela respondeu baixinho: pra o Jardim Cruzeiro e eu não hesitei: dá pra acompanhar você? Ela disse: sim! E fomos conversando sobre música, acontecimentos e atualidades da época, no meio do trajeto, ela pegou um cigarro, acendeu e começou a fumar, eu particularmente detestava cigarro, quando criança sofri muito com asma e cigarro me dava falta de ar, mas fiquei na minha, não lhe disse nada! Andamos cerca de uns três quilômetros e não vimos o tempo passar! Quando chegamos perto da sua casa ela disse: vamos nos despedir daqui pois minha mãe é um pouco implicante, você entende? E eu respondi: Tudo bem! Nos despedimos com beijos no rosto! E propus a ela um novo encontro e ela concordou.

Na semana seguinte tornamos a nos ver, falamos muito sobre o que mais gostávamos, nessa altura, eu já sentia uma atração muito forte por ela, e ela por mim, mas permanecíamos como bons amigos. O que mais chamava atenção nela era sua inteligência muito desenvolvida para os padrões da época. Escrevia poesias que colocava Fernando Pessoa no bolso “uma maravilhosa poetisa que só quis mostrar sua arte para poucos”. Ela alega, até hoje, que mostrar o que escreve é o mesmo que ficar nua para o mundo e não se sentiria bem! Eu sou um desses poucos privilegiados que conheceu sua arte poética. Uma perda para a literatura e humanidade. Aos nove anos, Maria, já escrevia poesias maravilhosas. Lembro-me de uma chamada “Ponta de Faca” onde narrava seus conflitos com a vida de uma forma expressiva tão viva “uma relação bilateral de auto agressividade entre ela com a vida e a vida com ela” que afirmo não vi nada igual se comparado a grandes autores consagrados no mundo da poesia. Ela parece muito com o estilo de Fernando Pessoa, eu particularmente a considero muito melhor. (A pedido da própria eu não poderei divulgar nenhuma das suas poesias aqui). Uma pena! Além da notável inteligência para poesia, ela possuía uma memória privilegiada e fotográfica. Tudo que lia seja pela primeira e única vez, gravava até seus pontos e vírgulas, nunca vi nada igual.

Ainda que eu fale as línguas dos homens, que eu tenha o universo nas minhas mãos, mas se eu não tiver amor no meu coração, eu nada serei … eu nada terei …

Mas com o passar do tempo ficamos mais e mais amigos. Notava porém, uma certa resistência dela, quando o assunto era ir até à sua casa. Um belo dia eu a questionei sobre o assunto: por que eu não posso ir até sua casa? E ela me respondeu: talvez onde eu moro seja um pouco diferente de onde você mora, não sei como você vai reagir! Ali percebi os reais motivos daquela situação e na mesma hora falei: pra mim, não importa nada, mesmo que você more debaixo de uma ponte você vai ser sempre minha amiga, não importa, Maria! Ou isso importa mesmo? Foi ai que, pela primeira vez, ela me convidou pra ir até sua casa, onde fui apresentado a sua mãe! Naquele dia, ela sentou comigo numa escada na entrada da sua casa e me contou tudo sobre sua vida. Ela morava num quartinho alugado “tipo uma kitnet” onde cabia só duas camas de solteiro e um fogão, situado nos fundos de uma casa de dois andares. Sua mãe funcionária pública, na época, recebia o equivalente a meio salário mínimo correspondente a hoje. Este salário era para pagar o aluguel e alimentação delas. Ela falou do seu pai com lágrimas nos olhos, que ele havia morrido há dois anos. Continuou falando dele: meu pai era empresário, Mário. Nós vivíamos bem até pouco antes da sua morte. Tínhamos uma bela casa, eu estudei em escola particular! Mário, eu tive até motorista particular pra me levar a escola! Eu não aceito essa vida! Mas meu pai perdeu tudo na bebida e jogo, e nos deixou neste estado lastimável de vida. Ele era alcoólatra! E se calou. Eu confesso; fiquei muito triste e sensibilizado com sua situação. Afinal minha princesa não merecia viver daquele jeito, nunca!. Consolei ela por um tempo e fui pra casa pensando em arrumar uma maneira para ajuda-la. Eu me perguntava: o que eu poderia fazer para ajudá-la? Eu era estudante ainda como ela. O que fazer por ela? Eu já gostava dela mesmo, não só como amiga, mas como uma espécie de irmã que necessita de proteção, muito amor e carinho de verdade. Uma pessoa aos extremos carente de tudo. O que poderia fazer pra ajuda-la? Essa pergunta não saia da minha cabeça! Será se eu a pedisse em namoro ela aceitaria? Eu sem perceber já a amava com carinho, afeto, amizade e proteção. Era uma espécie de irmão protetor! Eu a amava muito e sempre vou amá-la!

O mor puro e real de Megam e Harry e Harry e Megam

Vieram as férias de junho, daquele ano, e ela contou pra mim que iria passar o São João no interior da Bahia a convite de uma amiga. Detalhou a viagem, quando e pra onde iria. Eu logo pensei que poderia ir também, mas fiquei na minha, arranjei dinheiro e uma barraca de camping esperei a véspera de São João. Viajei rumo a cidade onde ela já se encontrava. Cheguei na cidade armei a barraca numa pracinha e fui ao encontro dela. Ao me ver ela ficou surpresa e muito alegre, pois ela jamais esperaria que eu fosse ao encontro dela. E eu disse a ela: Maria eu preciso muito conversar com você! Ela aceitou e saímos andando pelas proximidades da casa onde estava hospedada. Ela logo logo entenderia os motivos da minha viagem. Eu simplesmente fui direto: Maria, você quer namorar comigo? Ela nem refletiu pra responder: sim, Mário eu quero namorar com você! E pela primeira vez eu a abracei e a beijei. Na verdade um beijinho “uma bitoca”. Eu fiquei vivo de felicidades. Maria abriu aquele sorriso mais lindo do mundo, estávamos felizes mesmo. Houve também um fato nesta cidade que nos marcou muito, mas vamos deixar pra lá! Maria tá lembrada do refrigerante no bar? Isso vai ficar só pra gente. E foi dai o começo do nosso namoro e da nossa história. Tudo começou numa festa de São João no interior da Bahia e se estendeu por anos de encontros e desencontros.

Seu primeiro namorado e o amor verdadeiro de uma vida (ela com quinze e eu com vinte anos)

Eu vim do interior (festa de São João) para Salvador antes dela. Mas assim que ela chegou eu fui visitá-la. E foi aquela festa de felicidades, ela já havia contado pra mãe do nosso namoro. E tudo entre a gente estava só no começo. Minhas origens são de uma família de cacauicultores da região de Canavieiras e Camacã. Meu pai paterno Caio Peltier Loureiro e minha mãe Terezinha de Souza. Eu sou fruto de um relacionamento fora do casamento do meu pai. Fui criado, desde os 9 anos de idade, por um tio, Anísio Sabino Loureiro Filho ,irmão de meu pai, a pedido do meu avô Anísio Sabino Loureiro. Na casa onde fui criado, na Rua Imperatriz, tínhamos tudo, tudo era fartura. Tinha uma despensa de gêneros alimentícios tipo carnes salgadas, charque, linguiças, toucinho… feijão, café, arroz, farinha, macarrão comprava-se os sacos e um freezer horizontal carregado de carnes verde, galinhas e peixe… O tio Anísio chegava de viagem todo o final de mês vinha do interior e trazia um carro carregado dos mais diversos gêneros alimentícios, frutas, bananas… Muitas vezes, devido a grande quantidade, os alimentos ficavam ruim por não terem sido consumidos no tempo certo e se jogava no lixo… Eu ia visitar Maria, três vezes por semana. Com pouco tempo de convívio fui descobrindo a gravidade dos seus reais problemas com alimentação, problemas com a insanidade e relacionamentos da sua mãe. Que por respeito a ela não vou adentrar em detalhes, são muitos sórdidos…Na época ela só tinha quinze anos! Eu tenho que admitir que ela sofreu muito nesta vida! E o quanto minha doce amiga sofreu nesta vida! Por isso eu tenho a maior consideração e respeito por ela! Por que eu sou testemunho vivo e sei o que ela passou nesta vida! E render só homenagens a ela é muito pouco! Eu tenho orgulho de fazer parte da sua vida, amiga, irmã, uma pessoa de amor verdadeiro “já provou” – é como eu sempre afirmo: Eu amo te amar! Você, minha amiga, é mais do que vencedora! É uma guerreira vitoriosa! Parabéns pra você!

Eu vou confessar aqui, um fato ocorrido nas nossas vidas, nunca revelado pra ninguém. Talvez nem mesmo, a própria Maria, saiba desse fato ocorrido! Deus sabe o que eu fiz foi por amor a alguém num momento de extrema necessidade. Eu precisava ajudá-la e não tive outra alternativa a não ser essa. Vai aqui a minha confissão: eu acordava 3 horas da manhã, pra ninguém me ver, enchia uma sacola com alimentos da despensa lá de casa e levava pra ela. Eu fiz escondido mesmo! Eu saia bem cedinho pra ninguém ver. Nunca ninguém desconfiou de nada! Enfrentei muitas madrugadas. Enfrentei muita lama (quando chovia onde ela morava a rua se transformava num mar de lama). Às vezes, chegava na sua casa ainda estava escuro. Ficava aguardando ela acordar, na época de inverno a noite era muito fria! Mas tudo isso era compensado pela felicidade estampada no sorriso do seu rosto. Eu me sentia muito bem! Quando arrumei um estágio de trabalho, não ganhava muito, mas já dava para ajuda-la mais efetivamente. Pra ela eu confesso: faria tudo novamente se preciso fosse… Naquela época, eu era uma espécie de irmão protetor dela do que verdadeiramente seu namorado. Nessa história tem uma passagem bem interessante foi numa dessas madrugadas indo para sua casa, deparei-me com uma viatura da polícia militar e fui abordado. Fizeram muitas perguntas. Eles queriam saber o que eu fazia àquelas horas, carregando uma sacola.(Suspeitavam que eu fosse ladrão) Revistaram-me todo. Pegaram minha carteira e viram uma carteira de estudante universitário… E comentaram entre eles: o rapaz é universitário! Então o sargento perguntou: o que você faz uma hora dessas na rua, rapaz? Eu o respondi: Sargento, eu estou indo ajudar uma pessoa, muito querida! Que neste momento precisa muito dessa ajuda! Por alguns segundos, ele olhou pra mim e em seguida me liberou! Confesso: fiquei nervoso!

Momentos inesquecíveis da adolescência, namoro, brigas, ciúmes e proteção

O que mais nos marcou, naquela época de adolescentes, era a falta do equilíbrio emocional entre os dois. E ao mesmo tempo a pureza de um sentimento grandioso, maior do que nós mesmos. O querer bem, um com outro, nos fez irmãos em amor eterno! Eu diria pra sempre. Mas havia também seus momentos de incompreensão, eu a querendo proteger por todos lados (proteção excessiva) e ela querendo mais atenção e uma solução imediatista que a tirasse daquela situação(solução do seu problema)! Nos amávamos, mas faltava maturidade necessária para o prosseguir! Eu ainda precisava concluir meus estudos, para pleitear trabalho… Ela precisava sair imediatamente daquele lugar, o tempo dela era pra ontem e o meu era para amanhã. Ela não entendia a atenção que eu dava aos meus estudos e eu a protegia excessivamente… confundíamos e transformávamos em constantes cenas de ciúmes e brigas… acredite eu nunca tive ninguém nos momentos que namoramos! Eu sempre a respeitei mesmo, como a respeito até hoje. Mas faltou-me, confesso, naquela época, mais determinação e ação, pois a amava muito… com o passar do tempo e outros relacionamentos em vida, tantos meus como seus, nunca conseguimos nos esquecer! Por um passar de uma quase vida, cito nossas idades hoje, descobrimos que nunca deixamos de nos amar!Só que a vida nos prega peças, e hoje os nossos problemas são outros e agora até mais graves.

Mais voltando ao passado, esquecendo um pouco o presente, tivemos muitos momentos bons de amor puro-carinhoso, foram momentos únicos, prazerosos, marcantes e inesquecíveis que sobrevivem até hoje (33 anos depois) ! O carinho mais imensurável pela pureza, sinceridade, lealdade, amizade, amor, generosidade e gratidão! Eu resumiria nosso sentimento como a mistura (fusão) da pureza, sinceridade, lealdade, amizade, amor, generosidade e gratidão entre duas almas em um espírito. Tem momentos que não somos dois, mas um só! Difícil de explicar! Por isso a imensurabilidade desse sentimento foge da nossa própria compreensão humana. Certeza mesmo, é que nos fazemos muito bem um ao outro. Mas o tempo nos mostra que a maturidade humana, ela está em constantes transformações evolutivas tanto material como espiritual. A maturidade ideal, essa, dificilmente é alcançada! Quem a consegue na sua integralidade é portador com certeza: de paz, compreensão e amor, internos e externos, verdadeiros da criação. Um ser digo: bem-aventurado (feliz). Com certeza, não conseguimos este grau evolutivo de maturidade, pois ainda, mesmo com todo este nosso amor (33 anos), vivenciamos discórdias por valores herdados da vida à nossa consciência mental como corretas! Ou mesmo, por acometimento de uma doença grave entre nossas vidas! Nos voltamos para uma compreensão maior, longe da razão e perto da aceitação por amor.

Presentes simples mas marcantes (Bata, Calça e Sandália)

O que eu vou citar aqui neste tópico é “o bem que um simples gesto de carinho, atenção, e amor é capaz de fazer a uma pessoa”! Podendo até consagrar-se como marcantes e eternos nas nossas vidas. Fatos jamais esquecidos. É o poder e a força do amor! Não me lembro bem, se foi com o primeiro ou segundo salário recebido como estagiário da Caixa que eu lhe dei este presente. Maria, naquela época, era muito chegada ao estilo hyppie da época, o estilo livre de vida, do paz e amor. De passagem ao Comércio, um bairro comercial de Salvador, tive a ideia de dar um presente a minha namorada, minha doce Maria. Entrei no Mercado Modelo e deparei-me com uma bata e uma sandália à sua cara, comprei logo. Faltava a calça. A calça comprei logo em frente ao Mercado Modelo numa lojinha. Eu me lembro como, agora, nesse momento que escrevo, a felicidade estampada no seu rosto ao receber o presente… ganhei muitos beijos… Eu me sentir tão feliz, tão feliz; ao vê aquela esplendorosa felicidade irradiar pelo seu rosto tanta alegria! Indescritível aquele momento! Marcou minha vida pra sempre! Se eu pudesse voltar ao tempo, e tivesse de escolher um dos melhores momentos da minha vida, certamente este seria o melhor deles! Vejo-o e sinto com muita saudade.. a saudade que ainda me domina e enchem meus olhos de lágrimas! Essa é a melhor herança deixada pela vida à minha vida! Sempre minha doce Maria, seus momentos foram mais marcantes do que toda uma vida longe de você! Mas acredite o coração nunca esteve longe! Não sei quanto tempo de vida ainda me resta, mas, eu gostaria de lhe dizer do fundo do meu coração; você é a pessoa mais importante da minha vida! Não importa o seu sentimento, mais para mim: você é a melhor herança que guardo da vida! Escrever você, é um presente que meu coração lhe oferta por amor e pelos momentos maravilhosos vividos com você! Obrigado doce e linda Maria por ter feito parte desta minha vida.

Ficamos noivos, um dia tivemos uma briga daquelas, ela pegou a aliança e jogou no mato!

Ficamos três meses sem nos ver, ela não queria me ver. Ai um dia eu tive a triste ideia, mandei confeccionar um convite de casamento com o meu nome e de outra mulher fictícia, fui a sua casa e a entreguei o convite, a minha intenção era provocar seu ciúme, pra que ela acabasse com aquela história de separação e me procurasse; ela pegou o convite rasgou todo e jogou no meu rosto, dizendo-me: que antes que eu me casasse, ela se casaria primeiro. Eu não a levei muito a sério… Depois de uns 45 dias, ela realmente não me procurou mesmo e eu fui ao seu encontro, pra surpresa, desgosto e sofrimento. Eu tive a notícia que ela havia se casado com um tenente da polícia militar e havia se mudado para São Paulo! Fiquei seis meses acabado, minha vida era chorar do meu desespero… fiquei com muita raiva, ódio de mim e dela… Pois eu sabia que ela me amava de verdade e eu a amava muito mais ainda (ela nunca soube disso).

Separação, encontros e desencontros (vidas a partes)

O meu suicídio – Estou vivo – ( Tive missa de um ano de falecimento, com direito a choro e velas)

Eu havia me mudado, da cidade baixa e fui morar no bairro de Armação. Quando ela regressou de São Paulo, mesmo casada foi me procurar, e ai armaram pra ela que eu havia cometido suicídio e ela acreditou nessa história da minha morte, e ai encomendou por um ano na igreja da Pituba missa pra mim o morto – que nunca havia morrido.

Em 1985, o encontro por obra do destino num bar da Pituba em Salvador

Eu a vi, e fui ao seu encontro, ao falar: tá lembrada de mim, Mário Augusto – ela me olhou apavorada e respondeu: desconheço e saiu louca porta a fora “como se tivesse visto um fantasma”. O pior que para ela, eu havia morrido mesmo. Fiquei chateado de verdade, mas deixei meu telefone com uma amiga dela.Ficamos na minha casa, dormimos na mesma cama (nada em absoluto aconteceu, não por vontade, mais por meu orgulho idiota) – ela me contou que tinha uma filha e que havia se separado do tenente e naquele momento já estava noiva de outra pessoa “mais que não gostava dele”-apesar da insistência, por parte dela em voltarmos a namorar, até mesmo casar se fosse o caso, ela botou o novo casamento dela nas minhas mãos e queria que eu decidisse naquele instante – eu estava irredutível magoado com o passado e o presente – a palavra “desconheço” – não saia da minha cabeça, e eu disse-lhe: se depender de mim você casa com essa pessoa, porque eu não quero nada contigo mais. Foi meu grande erro! Poderia ter mudado tantas coisas nas nossas vidas, e como! E passamos muitos anos “sem nos ver”, nunca a esqueci de verdade, coisas simples faziam me lembrar dela, o simples cheiro de Patchouli – o perfume que ela usava quando nos conhecemos – me lembrava dela e vinha uma saudade e o vazio no meu coração – todos meus outros relacionamentos eu sempre sem querer acabava falando dela – da espanholinha do Jardim Cruzeiro – eu nunca a esqueci! daqueles cabelos pretos lisos, olhos castanhos escuros, nariz afilado e o rosto mais lindo que eu sempre guardei no meu coração!

Trinta e três anos adormecidos nos nossos corações

Em 2008, o re-encontro através da internet – Um dia ela se lembrou em 2008, desse amor adormecido no tempo, e depois de três dias de busca por Mário …. , ela encontrou o meu currículo, com meu telefone celular, ela ligou e falou com minha ex-esposa, porém ela atendeu, passando-se por minha esposa atual ( só que já estávamos 8 anos separados morando na mesma casa em quartos separados ). Ela havia mudado muitas coisas na sua vida, mas já com seus 47 anos ainda ostentava a beleza dos seus quinze ( estava se separando do seu terceiro casamento) – uma vida desencontrada sem solidez amorosa e dois filhos – e eu vindo de duas separações e relações e cinco filhos. Duas vidas totalmente desencontradas por falta de um amor verdadeiro. O primeiro encontro, depois de 33 anos adormecidos, aconteceu num shopping de Salvador… Não nos vinhamos há muito tempo, eu com 53 anos cabelos grisalhos, assustou-a um pouco, afinal o tempo não para ele voa, sentamos num café expresso, ao fundo uma canção selou nosso encontro, Velha Infância – Eu gosto de você… pra gente lembrar da nossa velha infância… sua mão tocou na minha mão e acordou e acendeu aquele velho sentimento que nunca morreu… Mas, ela insistia em sermos só bons amigos… lembramos de tudo, foram horas a fio de lembranças que nunca haviam morrido… estavam tão vivas que nem eu ou ela entendiamos porque não haviam se perdido num tempo das nossas velhas mentes. No segundo encontro fomos ao cinema, no inicio do filme eu pedi pra sair por poucos minutos e ela concordou, fui numa floricultura próxima e comprei duas rosas vermelhas, e retornei ao cinema e dei-lhe de presente ela ficou tão emocionada que acabamos nos beijando verdadeiramente pela primeira vez, foi algo energético de um amor tão maravilhoso que eu jamais havia experimentado e sentido durante toda à minha vida. Eu a amava, mas não sabia mensurar o tamanho daquele amor tão grande, só sabia senti-lo com todas as minhas forças numa mistura de vontade, amor e desejos insaciáveis – se o beijo foi tão bom – muito melhor e inexplicáveis foram os outros momentos eternizados para sempre nas nossas vidas – o amor mais lindo, puro, maravilhoso e inigualável que duas pessoas poderiam dar-se uma a outra; com tanta insaciabilidade jamais sentida por nós. Momentos marcantes bebex, o botijão explodiu, o milagre, a insaciabilidade de ambos, o bolo de aniversário, acarajés…. é tão bom viver recordando essa tão nossa resumida vida aqui! Foram noites memoráveis e eternas, do amor mais puro, o amor verdadeiro, que brindamos na saudade dos desejos insaciáveis de mais e mais nos amar “, amor inexplicável, um simples beijo é capaz de tudo, e o nosso amor é como se o que aconteceu minutos atrás não tivesse acontecido, e sim o que iria acontecer novamente”, não há cansaço físico, nós somos insaciáveis de amor um pelo outro, o encaixe perfeito de carne e espírito. Difícil é explicar a nossa química!

E a história continua… com novos encontros e desencontros … pois a vida é uma eterna metamorfose ambulante…